David Byrne e o que há de bom no Lollapalooza – Parte 2


The National. Maturidade em destaque / foto: divulgção

As dicas propriamente ditas

Assim como o show de David Byrne, as mais atraentes bandas do Lollapalooza BR 2018 não fazem parte da lista de artistas headlinings – composta este ano por Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers, The Killers, Lana Del Rey, Imagine Dragons e LCD Soundsystem.

Dessa lista, shows indispensáveis mesmo são do LCD Soundsystem e do Imagine Dragons. Mas é claro que todos esses shows valem a pena até porque foram exatamente escolhidos para garantir, no horário nobre do festival, a sua presença e a de uma gigantesca legião de pagantes para cada dia e estilo da pop music.

As bandas que interessam mesmo – e que valem a pena escrever sobre – estão na lista intermediária de atrações do festival. São bandas premiadas e que lançaram discos fundamentais na última década, ou que estão chamando a atenção pelo talento e/ou criatividade.

Sem espaço na grande mídia tupiniquim, essas bandas ficam restritas no Brasil a grupos de jovens antenados na Internet e canais da TV paga ou dos aficionados da música moderninha. Às 16h30min da sexta-feira, 23, o Spoon abre a lista dessas atrações altamente recomendáveis.

SPOON – UMA COLHERADA DE BOM GOSTO

Na estrada desde 1996, o grupo texano independente de sonoridade e estilo muito peculiares, que poderia ter sido apenas mais uma talentosa guitar band da época, alcançou a maturidade em 2007 com o lançamento do álbum “Ga Ga Ga Ga Ga”. A vitalidade da pegada roqueira se repetiu no trabalho de 2014, em “They Want My Soul”. E, em 2017, com “Hot Thoughts”, quando passou a incorporar mais fortemente elementos eletrônicos renovando a sua musicalidade sem prejudicar a originalidade das composições.

(https://www.youtube.com/watch?v=D6KFBFg5q1Y)

LCD SOUNDSYSTEM – ÍCONE ELETRÔNICO DO MOMENTO

Manjadérrimos nas pistas de todo o mundo já há algum tempo, são absolutos, ao lado do Daft Punk e Arcade Fire, na alternância dos bons lançamentos da eletrônica feita para minas dançarem de pretinho-básico e salto alto. Portanto, show obrigatório a partir das 19h35min pra quebrar esqueleto.

(https://www.youtube.com/watch?v=lqq3BtGrpU8)

LINIKER & OS CARAMELOWS – HOMO, PRETO E DA PERIFERIA

Pulando direto para a melhor escalação de 2018, o sábado promete do início ao fim. Começando com “uma” brasileiro, digamos assim, que vem chamando a atenção pela postura desafiadora e dramática em palco e pelo vozeirão gravemente rascante e deliciosamente cheio de malícia. Negro, bicha e vindo da periferia, Liniker sobe ao palco com Os Caramelows às 13h15min do sábado, horário ingrato mas que vale o esforço pelo artista singular. Em tempos de culto à diversidade de gênero, deixe de lado as bundas masculinas recheadas de silicone e preste mais atenção no talento de Liniker – porque ele faz a diferença e causa impacto como se fosse uma Ângela Rô Rô de saia 40 anos depois.

(https://www.youtube.com/watch?v=4WdTMSRd6a8)

TASH SULTANA – PRODÍGIO DA ERA YOUTUBE

Às 14h10min, será a hora da garota prodígio de Melbourne, terra dos cangurus. Tash Sultana tem 23 anos e surgiu mundialmente em 2016 com uma série de vídeos, gravados em seu quarto, que alcançou milhões de visualizações em poucos dias. Tash, apelido de Natasha, compõe, canta e executa todos os instrumentos. Verdadeira one woman show, ganhou a primeira guitarra do avô aos três anos de idade. Desde então, aprendeu a tocar outros dez instrumentos e sempre surpreende tirando sons do que está ao seu alcance. O vídeo de “Jungle” tem mais de 12 milhões de visus no YouTube. É incrível ver Tash tocando, cantando, dançando, sentindo, desempenhando aquele reggae que entoa como se fosse um sofrido blues. Tash tem apenas um EP lançado no mercado.

(https://www.youtube.com/watch?v=Vn8phH0k5HI)

KALEO – BOA MÚSICA E BOM MARKETING

Da terra dos coalas para a ilha de gelo. Kaleo vem da Islândia e toca às 15h05min. A banda faz um pop direto e de qualidade, ancorado na boa voz de Julius Son, nas composições de boa estirpe e no bom marketing proporcionado pela boa estampa dos garotos. Lançados nos Estados Unidos em 2015, para onde se mudaram, eles fazem uma carreira sólida sem necessariamente terem sido capturados por clichês industriais. Resta saber se terão fôlego e talento suficientes para se manterem em ascensão.

(https://www.youtube.com/watch?v=0-7IHOXkiV8)

ANDERSON .PAAK – CANDIDATO A OCUPAR O TRONO

Às 16h10min, sobe ao palco o novo queridinho da indústria hip-hop: Anderson .Paak (assim mesmo, com um ponto). Aposta das mais badaladas publicações, o rapper enfileira-se como candidato ao topo do estrelato do estilo musical mais rentável da indústria cultural estadunidense. Para alçar o posto, porém, .Paak terá de desbancar Kendrick Lamar, que parece não querer sair dali nem por decreto imperial. Portanto, vale a pena checar.

(https://www.youtube.com/watch?v=-OqrcUvrbRY)

THE NATIONAL – MATURIDADE QUE FAZ BEM

A partir das 17h15min, o Lolla voltará olhos, ouvidos, corações e mentes para David Byrne. Como toda a primeira parte do artigo foi gasta com ele, adientemos o relógio e cheguemos logo às 18h20min porque será a vez de uma das bandas mais queridas da casa. The National é originalmente de Ohio (tks, Wikipedia) e se estabeleceu em Nova York para fazer um tímido início de carreira no início dos anos de 2000. Somente em 2005 ganharam o grande público com o álbum “Alligator” e, em 2007, consagraram-se definitivamente como banda de primeira grandeza com o lançamento de “Boxer”. Em 2017, o The National se mostrou mais uma vez revigorado com “Sleep Well Beast”, o elogiado sétimo álbum da carreira. A banda faz um tipo de música que, com o passar do tempo, soa cada vez melhor. E a melancólica voz de Matt Berninger, mais doce. É o típico caso em que a maturidade só faz bem, ao contrário de muitos artistas por aí.

(https://www.youtube.com/watch?v=GwZvip416NU)

IMAGINE DRAGONS – DAS SUPERBANDAS INDUSTRIAIS

Nessa altura do campeonato, a noite terá caído para abrigar as duas atrações principais do sábado. Imagine Dragons é dos shows que gostaria imensamente de assistir porque é da linhagem do Kasabian, The Killers, Franz Ferdinand, ou seja, superbandas com superdiscos e supershows. Rock’n’roll moderninho industrial, enfim.

(https://www.youtube.com/watch?v=fKopy74weus)

KHALID – HINOS E NOTORIEDADE INSTANTÂNEA

Saltando para as boas de domingo, a primeira indicação é o show do Khalid, autor de megasucessos instantâneos da Internet desde meados de 2016 e que parece estar em plena caminhada para o ápice. Suas músicas são rapidamente absorvidas pelas redes com o frescor de hinos adolescentes em tempos sombrios. Tem apenas 19 anos. Sua apresentação começa às 17h15min.

(https://www.youtube.com/watch?v=IPfJnp1guPc)

LIAM GALLAGHER – E NO MEIO DE TUDO, UM OASIS

Às 18h30min rola o show mais recomendável do dia, que é do Liam Gallagher, autor de um dos melhores discos de 2017. “Wall of Glass”, primeiro trabalho solo e totalmente autoral de Liam, é tão bom que provoca até saudades do Oasis. Ou não.

(https://www.youtube.com/watch?v=ir8UofAKNCM)

FINALIZANDO, ALGUMAS DICAS PRÁTICAS

São estas as dicas desta coluna para você que vai ao Lollapalooza 2018. Ou que pretende acompanhar tudo, no conforto do sofá, pelos canais por assinatura Multishow e BIS. Bom deixar claro que aqui foram feitas apenas onze indicações de um festival que vai reunir 72 atrações musicais brasileiras e internacionais.

VEJA PROGRAMAÇÃO COMPLETA

https://www.lollapaloozabr.com/lineup-horarios/#friday-2018-03-23

Somente pela tenda de música eletrônica passarão 26 DJs em três dias de pauleira intermitente, sobre os quais sequer toco no assunto por absoluta falta de conhecimento. Mas, para quem estiver em Interlagos, recomendo dar uma passadinha, de quando em quando, pela tenda porque a eletrônica é o mais inventivo estilo musical da atualidade e sempre reserva surpresas.

Ao ar livre, 31 bandas se altenarão com shows de 45 minutos a duas horas e quinze minutos de duração entre os dois palcos principais localizados nos extremos da parte interna da imensa pista ovalada do autódromo. No meio disso tudo, outras 15 bandas ocuparão o quarto espaço do festival, que é um palco menor por onde passarão as espertíssimas bandas e atrações consideradas novidades e/ou alternativas.

Para quem for, hidrate-se, relaxe e bons shows!

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