ALIENAÇÃO: O PRINCIPAL INGREDIENTE DO FASCISMO

JuanaDobro

Eu acho assustadora a ignorância das pessoas quando o assunto é política. Argumentos rasos, ideias compradas e muita, muita falta de conhecimento de causa. Os fatores que levam alguém a votar em um candidato, pouquíssimas vezes, são coerentes. No geral, as pessoas desconhecem totalmente o passado e a trajetória política de quem pretende eleger. Se baseiam em falsas ideias de marketing e manipulações coletivas. Ainda, grande maioria, prefere não se envolver acreditando que na política só há gente ruim (ideia que favorece os candidatos ruins e a mídia golpista). Também tem aqueles que vão na opinião do pai, do marido, do pastor, do patrão… difícil é alguém seguir uma opinião feminina. Mulher que discute política, com fundamento e base, é sempre motivo de chacota dos espertalhões de plantão.

Um dos ensinamentos mais importantes de Karl Marx é de que as massas têm a ideologia das classes dominantes. Outra afirmação muito repetida do grande filósofo alemão é de que a religião é o ópio do povo. As duas podem ser lembradas juntas, quando pensamos em como a maioria da população se submete, dentro do capitalismo, a um regime político que só gratifica uma minoria da sociedade. Caso a maior parte da população se conscientizasse dos seus direitos, não precisaria haver nenhuma grande revolução. Bastava avisar à burguesia que seu tempo tinha acabado. Obviamente, não é assim que acontece. O que garante a existência de uma sociedade profundamente injusta e dividida, é que as pessoas não se dão conta dessa injustiça ou, o que é pior, a aceitam como algo inevitável.

Para que isso aconteça, funciona uma bem montada máquina de alienação política, com poderosos meios de convencimento, que vão desde a escola, passando pelas igrejas e chegando aos meios de comunicação. Ao contrário das sociedades escravagistas, ou mesmo durante o feudalismo, quando havia uma clara divisão entre senhores, escravos e vassalos e onde todos sabiam o lugar que lhes fora destinado para toda a vida, no sistema capitalista se estabelece a “possibilidade” formal de subir na escala social.

Desta forma, nos fazem acreditar que cada indivíduo da sociedade capitalista é avaliado por seus méritos pessoais e nada, teoricamente, o impede de chegar ao topo, principalmente naqueles países onde o processo democrático liberal atingiu seu ponto culminante (tudo historinha pra boi dormir, literalmente). Essa ascensão social, porém, só é possível para alguns indivíduos (pouquíssimos), e não é por mérito pessoal – meritocracia, como nos fazem acreditar, já que, cada um a seu modo, se esforça e deseja o sucesso pessoal, mas sim por um golpe de sorte. Os pobres (lembrando que a maioria de nós se enquadra nessa característica, embora muitos não saibam ou não percebam), independentemente de suas qualidades pessoais, continuarão formando a maioria da população e trabalharão todas suas vidas para uma minoria de ricos, que ficará cada vez mais rica. É essa estrutura, injusta na sua essência porque só favorece uma minoria, que é mantida como seu fosse uma conquista de todos, através de um grande processo de alienação política. Por isso, a única maneira de superar essa sociedade e alcançar outra, num patamar mais elevado, é a conscientização das massas oprimidas sobre seus direitos.

Como a burguesia, que exerce seu poder através do sistema capitalista, já se deu conta desse risco, ela monopoliza os meios de comunicação, cada dia mais importantes no processo, para estabelecer uma linguagem única no estabelecimento de determinados valores. Palavras chaves como democracia e liberdade são manipuladas para passar a leitores, ouvintes e telespectadores que suas versões burguesas são o ponto mais alto que a sociedade pode alcançar e que além delas só existiria o caos. Embora nem mesmo essas palavras atualmente tem tem tido impacto no eleitorado, visto que até isso querem derrotar (a falsa democracia vista como democracia que ainda é melhor que uma ditadura) em nome de um País mais “honesto” (entende-se por honesto, nesse caso, segregacista). Hoje, o papel das esquerdas não deveria ser só o de participação no jogo político, mas sim o de conscientização da maioria da população de que as injustiças que sofre não é um determinismo histórico e que, consciente de sua força, ela se torna imbatível.

Para finalizar peço a todos que não caiam nas maquiavélicas estratégias que são transmitidas ao povo brasileiro e convencendo à todos e excluindo a força da pobreza (e temos visto de monte isso acontecer). Ideias como: “todos são assim e nada vai mudar”, ou “cidadão pobre é ser um pedinte, necessitado e facilmente comprado”, ou “quanto mais analfabetos menos politização e conscientização e mais votos adestrados”. Portanto, se a pobreza é necessária, para manter o status quo dos corruptos no poder, só existe uma solução: é você começar a gostar de política, debater como pode melhorar o seu país, votar sempre de forma consciente e nunca desistir de construir uma rica nação cidadã, afinal como dizia Colbert (Jean Baptiste, célebre ministro francês): “A grandeza de um país não depende da extensão do seu território, mas do caráter do seu povo”. É desejo dos políticos corruptos que o cidadão não acredite em política, que acredite que todos são desonestos e não há opções de votos e assim o alienante voto nulo, assim como o voto comprado ou forçado, reforça a corrupção na medida em que suprime o seu único antidoto: a consciência de cidadania. E voto nulo ou branco também não é protesto, pois não causa nenhum efeito plausível; e o pior, você “vota nulo”, mas alguém vota no fascista, sua manifestação não tem nenhum efeito eleitoral e o fascista é eleito.

Portanto, só há um método de protesto válido e que causa grandes efeitos: votar consciente e excluir do processo eleitoral os políticos fascistas. Aos cooptados pela “estratégia”, ou seja, aqueles que insistem em dizer que não gostam de política, só tenho algo a dedicar, os versos do Alemão e poeta da revolução Russa de 1917, Bertolt Brecht, em “o analfabeto político”: “O pior analfabeto é o “analfabeto político”. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O “analfabeto político” é tão burro, que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que de sua ignorância nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o explorador das empresas nacionais e multinacionais.” 

Preciso falar mais um pouco sobre o voto nulo ou o voto inconsciente ou o voto na onda dos outros ou os que votam com base nas estatísticas ou os que votam sem entender nada de política e nada sobre a vida e carreira dos políticos: quem defende essas opções, esquece as lições mais básicas de Maquiavel, segundo as quais na política quem não toma partido é dominado pelos que a tomam e se manter inerte diante de uma injustiça é escolher o lado do opressor. Dizia Vitor Hugo: “Desde que existe a História, duas classes de homens dirigem a humanidade: os opressores e os libertadores. Aqueles dominam pelo mal, estes pelo bem. Mas de todos os libertadores, o pensador, o intelectual é o mais eficaz. O espírito fere de morte o mal. Os pensadores emancipam o gênero humano. Sofrem mas triunfam. E é pelo sacrifício que eles, não raro, alcançam a redenção dos outros. Podem sucumbir no exílio, no cárcere ou patíbulo. O seu ideal lhes sobrevive; e, mesmo depois de sua morte, continua a tarefa libertadora que eles encetaram em vida”. Certo gentem?

 

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