ALMA NÃO VALE MAIS NADA

GuilhermeZawa;

Alma anda meio fora de moda e está em baixa na bolsa. Tem igreja  que talvez até valha (me disseram que tem até preço tabelado), mas a alma a qual me refiro aqui é aquilo que do mais essencial do ser. Essência meus caros, daquilo que é mais resumido e depurado do que seja você. Alma não no sentido exotérico ou religioso, mas naquilo que te move, pelas quais tuas paixões e pulsões circulam, tua vida acha caminhos para se movimentar pelo campo do viver. As dúvidas são passaportes para novos terrenos e a beleza da vida vem inscrita pelo sussurrar de uma música, paisagem ou linha de poema.

Tem que se ter alma para tudo na vida. E aqui digo alma como a fluidez do desejo que encontra vazão e concretude na realidade da vida. Tem que se ter paixão por tudo que se faz, pois a paixão impulsiona e nos faz viver em estado de metamorfose necessária para ser ir vivendo-transformando.

A engenharia fala de prédios. A medicina fala do corpo. A arte fala das coisas que são da alma. Uma obra de arte da notícias de o processo de alguém que foi se transformando por que não quis ficar parado no mesmo lugar e de não querendo em não querendo ser o mesmo acabou indo parar onde nem sequer imaginara poder chegar um dia. E quando ele chegou lá ele viveu feliz para sempre desonerado de problemas? Não, ele continuou indo pois a vida é estar em movimento. Chegar é morrer. Morrer é lembrar de viver. Morrer é a musa, entretanto.

Mas alma está em baixa e por conseguinte a arte também está. Verbas que são cortadas ou mirradas, processos persecutórios contra exposições de arte, processos criminalizatórios contra meios de captação de recursos para arte. Arte na CPI. Prefeito-pastor querendo jogar arte no fundo do mar.

No fundo, acredito que a arte anda em baixo por que ela causa uma espécie de medo, pois ela faz deparar com as notícias-pensamentos de alguém. É como se deter diante da liberdade em estado materializado. O problema é que a liberdade assusta quem anda com a alma mirrada. Ela é uma presença incômoda que faz lembrar de algo que embora esteja soterrado ou até mesmo cauterizado, pulsa com vontade própria e manda sinais de vida. Como se trouxesse um telegrama da alma. Mas quem quer saber sobre o que vem de lá?

 

 

Imagem: Lee Dino

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