OUÇA:   LEIA: Sentado na praça eu me sinto antigo Um jovem se aproxima Pergunta as horas (dezesseis e quarenta) Ele diz: – Obrigado Me estende a mão Um gesto raro hoje em dia   Nos cumprimentamos Num breve aperto (Sorrisos sinceros)   Lá vai o jovem embora Talvez esteja na direção de um encontro …

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OUÇA:   LEIA:   Você já viu o vento? Nesta semana ouvi falar de um menino que vê o vento e que me deixou com muita vontade de conhecê-lo. Deve ser um menino muito bacana, desses que a gente nem conhece e já considera pácas. A história começa numa conversa com minha filha depois da …

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OUÇA:   LEIA: Se eu me chamasse Raimundo Vindo lá do sertão Um poço sem água no fundo Teria calos nas mãos A terra rachada gritando A brasa cortando a noite Se eu me chamasse Raimundo O contrário do sertão Aqui, na terra da chuva que mata Também há calos nas mãos Mas, eu não …

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OUÇA: LEIA: I Aqui nesta praça Barulhos das máquinas que passam Ônibus cheio de ombros sustentando cabeças Cansados Carros fechados são latas térmicas de ar fresco Artificial Carregam pessoas sentadas que esperam O verde infame do sinal A praça é vazia Os bancos não suportam os velhos Que não envelhecem mais Juventude tardia Os pombos …

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OUÇA:   LEIA: Vou aqui descrever uma classe de pessoas que estão por aí. São pessoas perigosas por proliferarem gestos que facilmente entram no cotidiano de muitas famílias, acabam com a disciplina, com a praticidade das coisas, dão novos sentidos, novos destinos aos velhos objetos, acabam como mercado financeiro… São os idiotas. Para você saber …

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OUÇA:    LEIA:   Fiquei em sonhos perambulando pelos furos de meu corpo Na pele sensações de pelos eriçados autônomos Não pude encontrar o amor neste dia abafado Fiquei com a frase que faltou ser dita Povoando a língua molhada e com sede Quis encontrar uma saída por uma entrada em abraços que deslizam num …

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OUÇA:   LEIA: Crianças choram por causa de bonecas Que não respondem Eu não entendo de choros E tento Elas não entendem o meu jeito Praticamente sem jeito de resolver Crianças choram Coisas correndo invadem meu peito procurando saídas Que são os nomes das coisas O choro é o apelo da coisa sem nome Eu …

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OUÇA:    LEIA:   O problema é depois. Depois estaremos velhos Depois o problema só terá quem viveu Depois ninguém sabe aonde estaremos Depois é protelar sofrimentos Tanto quanto protelar histórias. Depois a vida já foi. Arrastando esse saco de pedras Para largar depois. E depois nunca chega. O amor se colocou preso Em gaiola …

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  Mar em mim   De manhã é tudo cinza Longe do litoral O dia normal de quinta Aquela pós carnaval Viro a caneca com tudo Desce uma última gota Fria Melhor do que ela vazia Procuro nos escritos Livros Leminskis Algum calor E a única coisa quente É uma sopa rala Um leve sorriso …

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  POEMA ENGAJADO Vende-se Tudo! Amazônia O mar A serra Toda água Toda luz Todo fogo Todo ferro O sol Copacabana Vende-se O Cristo Jesus Cristo A salvação Tua cara lavada Tua boca de cinzeiro Tua bunda caída Teus pelos pubianos Vende-se! Tudo Tudo Tudo O buraco dos teus olhos Tua pele tatuada A lua …

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