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Wagner Rengel


OUÇA: LEIA: Easy to love, de Billie Holiday toca gostoso ali na caixinha de som. Se você não conhece, procure. Ao ouvir terá uma sensação de caminhar suavemente por uma rua de fracas luzes, num outro tempo, tranquilamente. Em pensamentos de quem volta de um encontro com alguém que deu certo. Estará com o peito …

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OUÇA:   LEIA: A vida da gente é uma doideira Eu queria que tudo ficasse mais leve Mas tem sempre um certo incômodo E no fundo você também sabe (Não sabe?) Quando me sinto triste Andando sem eira, nem beira Com raiva ou desanimado Um peso de uma certa covardia   Não tem régua que …

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OUÇA: LEIA: O velho na sala ao lado assistia ao jornal nacional enquanto a água ia fervendo, balançando a tampa da chaleira, tactactac, exalando vapor pelo bico mudo e sobre ele um envelope que dançava guiado pelo menino. Como um maestro fazia e o envelope ia e vinha, subia e descia. No fundo a voz …

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OUÇA: LEIA: Ah, a realidade Isso que juramos ser verdade Bem que eu queria outro tema Apesar da minha idade Sei que é ousadia Mas pensa comigo, amigo Que bom se fosse outro dia Um sábado qualquer ou domingo A gente dando risada Jogando conversa fora E passa um elefante voando Cortando o céu Todo …

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OUÇA:   LEIA: É que dentro do peito tem um mar, e quando a dor cai dentro dele transborda água pelos olhos. E arde.   ASSISTA:

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OUÇA:   LEIA: Vida leve é voar baixinho Não dá para sentir as brisas Longe demais do chão Leve, longe do ninho Nem tão longe A noite já havia silenciado as motos estúpidas. Passava das dez e meia e o silêncio de uma terça-feira era um excesso de ordem. Eu não queria ordem. Queria grito, …

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OUÇA:   LEIA: Fui embora sentindo o impacto do chão que reverberava do calcanhar até as bochechas. O tênis barato, de sola dura não tinha conforto em caminhadas mais aceleradas. Precisei diminuir a velocidade. Me senti velho a cada passo e quis esconder a pele que já faltava ingredientes para dar consistência mais firme. Colágeno, me disseram. …

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OUÇA:   LEIA: Por quantas vezes vem a vontade de chorar E não consegue Chamam de nó aquilo na garganta Que não desata E fica aquela coisa dentro Da gente A boca se inunda de um mar Amargo No peito bate um vazio de um coração Perdido Que não se encontra As mãos ficam escondidas …

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OUÇA:   LEIA: Já quis ser poeta e também silêncio depois pássaro depois peixe depois vento depois grilo quis ser gente depois nada Já quis ser história E também esquecimento depois livro depois pedra depois destro depois chão quis ser vento depois voz Já quis ser azul E também bicicleta depois mão depois sal depois …

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OUÇA: LEIA: Eu já morri. Uma, duas, três… Eu quase morri. Quatro, cinco, seis… E todas as vezes eu nasci. Renasci. Para quem morre só tem uma saída, ou melhor, não tem saída. E nascer exige uma força de sabe-se lá de onde surge. Coisa que ninguém lembra. Renascer já é outra coisa. A gente lembra …

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