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Wagner Rengel


OUÇA:   LEIA: Vida leve é voar baixinho Não dá para sentir as brisas Longe demais do chão Leve, longe do ninho Nem tão longe A noite já havia silenciado as motos estúpidas. Passava das dez e meia e o silêncio de uma terça-feira era um excesso de ordem. Eu não queria ordem. Queria grito, …

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OUÇA:   LEIA: Fui embora sentindo o impacto do chão que reverberava do calcanhar até as bochechas. O tênis barato, de sola dura não tinha conforto em caminhadas mais aceleradas. Precisei diminuir a velocidade. Me senti velho a cada passo e quis esconder a pele que já faltava ingredientes para dar consistência mais firme. Colágeno, me disseram. …

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OUÇA:   LEIA: Por quantas vezes vem a vontade de chorar E não consegue Chamam de nó aquilo na garganta Que não desata E fica aquela coisa dentro Da gente A boca se inunda de um mar Amargo No peito bate um vazio de um coração Perdido Que não se encontra As mãos ficam escondidas …

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OUÇA:   LEIA: Já quis ser poeta e também silêncio depois pássaro depois peixe depois vento depois grilo quis ser gente depois nada Já quis ser história E também esquecimento depois livro depois pedra depois destro depois chão quis ser vento depois voz Já quis ser azul E também bicicleta depois mão depois sal depois …

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OUÇA: LEIA: Eu já morri. Uma, duas, três… Eu quase morri. Quatro, cinco, seis… E todas as vezes eu nasci. Renasci. Para quem morre só tem uma saída, ou melhor, não tem saída. E nascer exige uma força de sabe-se lá de onde surge. Coisa que ninguém lembra. Renascer já é outra coisa. A gente lembra …

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OUÇA:   LEIA: Sentado na praça eu me sinto antigo Um jovem se aproxima Pergunta as horas (dezesseis e quarenta) Ele diz: – Obrigado Me estende a mão Um gesto raro hoje em dia   Nos cumprimentamos Num breve aperto (Sorrisos sinceros)   Lá vai o jovem embora Talvez esteja na direção de um encontro …

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OUÇA:   LEIA:   Você já viu o vento? Nesta semana ouvi falar de um menino que vê o vento e que me deixou com muita vontade de conhecê-lo. Deve ser um menino muito bacana, desses que a gente nem conhece e já considera pácas. A história começa numa conversa com minha filha depois da …

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OUÇA:   LEIA: Se eu me chamasse Raimundo Vindo lá do sertão Um poço sem água no fundo Teria calos nas mãos A terra rachada gritando A brasa cortando a noite Se eu me chamasse Raimundo O contrário do sertão Aqui, na terra da chuva que mata Também há calos nas mãos Mas, eu não …

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OUÇA: LEIA: I Aqui nesta praça Barulhos das máquinas que passam Ônibus cheio de ombros sustentando cabeças Cansados Carros fechados são latas térmicas de ar fresco Artificial Carregam pessoas sentadas que esperam O verde infame do sinal A praça é vazia Os bancos não suportam os velhos Que não envelhecem mais Juventude tardia Os pombos …

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OUÇA:   LEIA: Vou aqui descrever uma classe de pessoas que estão por aí. São pessoas perigosas por proliferarem gestos que facilmente entram no cotidiano de muitas famílias, acabam com a disciplina, com a praticidade das coisas, dão novos sentidos, novos destinos aos velhos objetos, acabam como mercado financeiro… São os idiotas. Para você saber …

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