Dica da Ema – Coherence

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O primeiro longa-metragem de James Ward Byrkit é uma tomada moderna sobre aantiga superstição de que cometas seriam presságio de tempos caóticos. Em Coherence, os efeitos do corpo celeste não são propriamente sobrenaturais, embora igualmente intrigantes. A obra foi filmada na própria casa do diretor durante cinco dias, praticamente sem equipe de apoio.

A trama se resume a um jantar entre seis amigos durante a passagem do cometa. Contar mais que isso seria privar os leitores da componente essencial deste filme: a dúvida a respeito da natureza dos acontecimentos na casa (e fora dela). Assim como os personagens descobrem lentamente a realidade em que se inserem, também o espectador é incapaz de descartar a possibilidade de uma brincadeira, ao mesmo tempo em que cogita cenários muito mais complexos. Boa parte da ação ocorre longe do plano narrativo, sendo posteriormente relatada pelos que regressam, algo explorado com maestria ao longo do filme. Conforme os eventos se passam, as próprias identidades dos personagens tornam-se duvidosas, mas não no sentido usual. Novamente, falar mais seria revelar pontos cruciais da história.

Com controle excepcional da atmosfera das cenas, Byrkit usa apenas trilha sonora e diálogo para criar tensão, que se mantém durante toda a narrativa. Esse tipo de estilo seria depois replicado em maior ou menor grau em diversas outras produções independentes, como The Invitation, Time Lapse e o aclamado GetOut. O filme – sobretudo o final surpreendente – certamente suscita mais perguntas do que as respostas que oferece, mas de forma alguma é frustrante. Pelo contrário, tão logo aparecem os créditos finais, começam as discussões a respeito daquilo que acabou de acontecer.