Dica da EMA – Deixe-me Entrar

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Ninguém vai te culpar se você decidir parar de ler quando vir esta palavra: remake. Deixe-me Entrar, dirigido por Matt Reeves é, sim, um remake do filme suecoLåtdenRätteKomma in(Deixe Ela Entrar, no Brasil), obra aclamada do diretor Tomas Alfredson. Minha preferência seria resenhar o original, naturalmente, mas quis o destino que eu assistisse a obra de Reeves primeiro e, pasmem, o filme é excelente. Oficialmente, este filme é uma nova adaptação do mesmo livro em que a obra sueca é baseada, mas a produção americana mimetiza o filme de Alfredson em quase todos os aspectos.

O título, Deixe-me Entrar, faz referência à superstição de que vampiros precisam ser convidados para poderem entrar na residência de suas vítimas. O vampiro em questão é uma garotinha, e quem a convida é Owen, um garoto solitário de doze anos. Ambos à margem da sociedade, Owen e a vampira, Abby, tornam-se próximos. Se Owen não passa de um menino inocente, não podemos dizer o mesmo de Abby, apesar das aparências.

Nominalmente um filme de horror, Deixe-me Entrar mistura elementos de romance, drama, suspense e mistério. Reeves foi muito criticado por ter se autointitulado roteirista da obra, quando o filme é muito similar ao original sueco. O “roubo” de crédito é certamente condenável, mas não a imitação. Se a maioria dos remakes – e em especial os estadunidenses – servem para pasteurizar uma obra exótica, aqui Reeves consegue trazer para uma ambientação americana a mesma sensação de isolamento e estranheza do original. A obra é despretensiosa e prioriza o desenvolvimento dos personagens e do enredo, em detrimento a sustos inconsequentes ou pirotecnias sanguinolentas. Não se enganem: há uso considerável de efeitos visuais. A questão é utilizá-los para conferir realismo ao universo fantasioso da história, e não como a atração principal.Elegante e substancial, Deixe-me Entrar é um raro exemplo de um remake com razão de ser.