Dica da EMA – Drive

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Desde seu filme de estreia, Pusher, o diretor dinamarquês Nicolas Refn vem sendo exaltado como uma voz renovadora para o gênero de ação. Se filmes como o já mencionado Pushere o também excelente Bronson estabeleceram o nome de Refn nos círculos de arte, Drivetrouxe sua obra ao mainstream.O filme combina uma direção bastante idiossincrática com uma estética retrô exagerada, escolha arriscada, mas que deu certo. Drive rendeu a Refn o prêmio de direção em Cannes, além de mais de quinze minutos de aplausos em pé durante sua première.

Não é o enredo que faz de Drive um filme único. A narrativa segue a vida de um motorista de manobras radicais em Holywood que também trabalha em assaltos durante as madrugadas. Frio e metódico, o motorista vive sozinho, mas acaba se aproximando de sua vizinha, Irene, e Benito, filho dela. O marido de Irene, que estava preso, passa a ser perseguido logo que obtém a liberdade, pois deve dinheiro por favores prestados na prisão. Vendo que Irene e Benito estão em perigo, o motorista decide ajudar o esposo a pagar as dívidas.

Apesar do sucesso em Cannes, a opinião da crítica era que Driver dificilmente levaria os maiores prêmios dos festivais internacionais de cinema, o que de fato não aconteceu. A palavra chave dessa obra é estilo, não exatamente conteúdo, mas que estilo: do diálogo aos cortes de cena, passando por cenários e trilha sonora, todos os aspectos desta obra dialogam e somam ao conjunto. Drive estabelece um paradigma estético próprio, ainda que carregado em referências. Há, sobretudo pelos diálogos espaçados, uma forte sensação de estranheza nos primeiros minutos de filme, mas logo nos acostumamos com a linguagem do diretor. As cenas de violência gráfica, comuns na obra de Refn, são chocantes, num contraste interessante com uma certa modéstia nas cenas de perseguição. A intenção não era produzir um novo Velozes e Furiosos. Aliás, longe disso: Drive nos mostra como arte e entretenimento não só não são incompatíveis, mas aliados naturais nas mãos de um diretor competente.