Dica da EMA – Idiocracia

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Uma das características comuns a maioria das obras primas de ficção científica é a capacidade de utilizar uma ambientação futurista para evidenciar questões contemporâneas. Idiocracia não é uma obra prima. Também não é um filme de ficção científica, embora tenha uma premissa nesses moldes. A obra de Mike Judge é, antes de mais nada, um besteirol – mas um besteirol que satiriza o próprio fenômeno no qual se insere. O filme foi boicotado pela própria produtora, a Fox, que temia uma reação negativa do público e, sobretudo, das companhias retratadas na obra.

A história começa em 2005, quando dois “voluntários”, Joe e Rita, são selecionados para participar de um experimento com hibernação humana. O experimento era secreto e, quando o responsável é preso, os dois são esquecidos. Ao invés de acordar apenas um ano depois, são transportados para o ano 2505. Nesses quinhentos anos, as pessoas de baixa inteligência se reproduziram de forma acelerada e a humanidade atingiu um nível de profunda degradação intelectual. Antes medianos e com baixas perspectivas, Joe e Rita são agora as pessoas mais inteligentes do planeta.

Em uma leitura inicial, Idiocracia tem algumas boas piadas e o enredo, um tanto formulaico, funciona. Qualquer análise mais profunda esbarra num problema: estamos falando de uma comédia desmiolada que, por um acaso, acaba formando uma crítica consistente aosprincipais responsáveis pelo desenvolvimento de uma cultura em que filmes desse tipo são a regra? Ou seria este o propósito expresso da obra, uma sátira consciente e metalinguística dessa mesma cultura rasa e autorreferente? Não sei e, francamente, não importa. A possibilidade de leituras diversas é bem-vinda. Que muitos adotarão o primeiro ponto de vista, não há dúvidas. Alguns poucos verão na obra algo a mais, e é graças a estes que Idiocracia se tornou um fenômeno cult. Nem que seja apenas pelas piadas, valem a pena os oitenta e quatro minutos de película.