Dica da EMA – O Ódio

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Title: HAINE, LA ¥ Pers: CASSEL, VINCENT / TAGHMAOUI, SAID / KOUNDE, HUBERT ¥ Year: 1995 ¥ Dir: KASSOVITZ, MATHIEU ¥ Ref: HAI013AG ¥ Credit: [ LAZENNEC/CANAL +/LA SEPT / THE KOBAL COLLECTION ]

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Antes de O Ódio, Mathieu Kassovitz já era considerado um ator e diretor promissor, mas esta obra provavelmente superou expectativas. Além de um prêmio de direção no festival de Cannes e três César, O Ódio lançou Vincent Cassel ao estrelato. O filme apresenta forte crítica social e é famoso por refletir as incertezas econômicas e sociais da França dos anos noventa.

O uso de fotografia em preto e branco e cenas documentais situa imediatamente o espectador em uma das muitas revoltas generalizadas da França pós-segunda guerra, desta vez causada pela violência policial contra o jovem Abdel Ichacha, agora em coma. O filme acompanha cerca de vinte horas da vida de três amigos de Abdel, habitantes de um complexo habitacional decadente nos subúrbios de Paris. Impossibilitados de seguir suas rotinas normais, se é que algum deles tem alguma, os amigos passam o dia conversando e procurando o que fazer. Dos três, Vinz, um judeu metido a gângster, foi o único a participar das revoltas.  Mais que isso: ele roubou uma arma e promete usá-la se Abdel morrer.

No clássico debate indivíduo x sociedade, O Ódio escolhe o segundo. Independente das ambições e particularidades dos personagens, raça e condição social determinam a forma como são tratados. Os três respondem de acordo: ódio com ódio, indiferença com indiferença. Se Kassovitz pode ser acusado de complacência, não se pode negar a força do argumento que constrói. Há um abismo cultural entre a França da Champs-Élyséese aquela dos Banlieues: street dance, rap e hip hop, gírias em inglês – se os personagens não falassem francês julgaríamos tratar-se de um filme americano. Mais que tudo,O Ódio não nos deixa esquecer que, não obstante os belíssimos Valores EuropeusTM, foi da tradição europeia que surgiram aberrações como o imperialismo civilizatório e o fascismo. Nos vinte e três anos passados desde seu lançamento, sua mensagem continua relevante: as ideologias de ódio continuam vivas, todos os dias, onipresentes como a própria civilização.

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