Dica da EMA – Vá e Veja

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Pouco conhecido no Brasil, Vá e Veja é o último e mais bem-sucedido filme do diretor soviético ElemKlimov. O filme foi recebido positivamente quando lançado, em 1985, mas, talvez por vir de um nome pouco conhecido nos circuitos internacionais, teve pouca repercussão fora da União Soviética. Longe de ser esquecido, no entanto, a fama e reputação da obra se consolidaram ao longo dos anos – Vá e Veja é hoje considerado um dos melhores filmes já feitos.

A obra de Klimov é centrada na história de um único personagem: o garoto Flyora, que é recrutado pelos partisans na Bielorrússia ocupada, em 1943. O menino, desejoso em combater os nazistas, acaba isolado de seu regimento. Fazendo o possível para ajudar aqueles que encontra pelo caminho, Flyora verá que a guerra tem muito pouco da glória e da pompa dos desfiles militares.

Vá e Veja é um dos raríssimos casos em que todos os elementos de um filme estão em harmonia com a proposta do diretor. O aspecto mais destacado dessa obra é a poética visual, notável sobretudo em algumas “fotos” – cenas pouco naturais em que os atores se apresentam numa espécie de panorama ou quadro vivo, mas o olhar de Klimov dá a quase todas as cenas uma beleza fantasmagórica. Diferente da maioria dos filmes de guerra, em que há uma missão, um clímax claro para o qual o enredo converge, a história de Vá e Veja é dispersa. Se muito se fala da “insanidade” da guerra, nenhum filme a retrata tão bem quanto este. Dito isso, a obra de Klimov não procura ser realista; é barroca, com algo de onírico. A trilha sonora quase amorfa de OlegYanchenko reforça essa ideia, intensificando a sensação de confusão e deslocamento. Quando as provações de Flyora chegam ao fim, Klimov se utiliza de imagens reais da segunda guerra para uma longa cena surrealista, a mais famosa do filme – e um triste lembrete de que o tempo não volta.