Dica da EMA – Victoria

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Após o pioneiro Arca Russa, de 2002, pelo menos uma dezena de outros longas-metragens filmados em apenas uma tomada foram lançados. Embora nenhum deles se aproxime em escala do clássico russo, que empregou três orquestras e mais de dois mil atores e figurantes, algumas produções atingiram resultados notáveis. Victoria, de 2015, talvez seja um dos melhores exemplos dessa nova safra.

Victoria é uma jovem espanhola radicada em Berlim, onde trabalha em um café. A menina não tem conhecidos na cidade e não fala alemão. Ao sair de uma boate, encontra um grupo de rapazes que tinham sido barrados na entrada do estabelecimento. Victoria imediatamente faz amizade com Sonne, que se propõe a guia-la pelas ruas da cidade com seus amigos. Desde o encontro, os garotos cometem pequenos crimes, como furto de bebidas em uma loja de conveniência ou tentar invadir um carro alheio. As explicações de Sonne evidentemente são falsas, mas Victoria encara-as como brincadeira, deixando-se conduzir pelos meninos. Quando o verdadeiro propósito daquela noitada se revela, Victoria se vê cúmplice em um crime de grandes proporções.

Se o filme de Alexander Sokurov empregava a façanha técnica de filmar uma obra inteira sem interrupções no contexto mais propício de um filme de arte, o diretor alemão Sebastian Schipper demonstra em Victoria como usá-la em um contexto independente/comercial. A obra possui grande mérito artístico, sobretudo devido a excelente atuação de todos os seis membros do elenco (ao menos os seis com alguma fala). Ainda assim, é acessível e direta. A conexão entre Sonne e Victoria é genuína, mesmo que improvável,e a ausência de cortes confere grande realismo à ação – um detalhe fantástico é como o cenário se altera conforme o dia amanhece. O enredo pode ser um pouco inverossímil, mas, se em alguns casos a filmagem em única tomada serviu para chamar atenção para filmes que de outra forma teriam poucas qualidades, aqui a inovação encontra-se perfeitamente justificada.