Entrevista inédita de Maé da Cuíca revive a trajetória do samba em Curitiba

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Em maio de 2012, o mestre Maé da Cuíca (1927-2012), realizou em sua casa, a última entrevista da sua trajetória, poucos meses antes do seu falecimento, aos 85 anos de idade. (Foto: Carlé Cadu)

 

A história sobre a origem do samba em Curitiba é repleta de lacunas. Porém, alguns personagens são fundamentais para compreender a rica e imensurável dimensão deste enredo que, ao longo dos últimos 20 anos têm sido resgatado por diversos projetos na capital.

Neste domingo (30), o “Curitiba dá Samba” encabeçado pelo produtor cultural, jornalista e editor musical, Lucas Cabaña, celebra nove anos de execução do projeto, três anos de programa na Rádio Cultura de Curitiba, e exibe a partir das 14h, trechos de uma entrevista inédita realizada em 2012, com o mestre Maé da Cuíca (1927-2012).

“Esta entrevista foi gravada em maio de 2012 e a última, feita pelo Maé da Cuíca que faleceu poucos meses depois. Na época, o projeto era um documentário realizado para a universidade com a pretensão de ser um longa-metragem. Mas, infelizmente, nós nunca conseguimos conciliar agendas para finalizar o audiovisual. E há oito anos, nós guardamos depoimentos valiosos com grandes artistas da cena cultural paranaense”, revela o jornalista, Lucas Cabaña.

Porém, para consolidar o fim das quatro temporadas do programa “Curitiba dá Samba” exibido há três anos na programação da Rádio Cultura de Curitiba, o jornalista retomou o contato com a equipe de gravação do documentário e alguns depoimentos desta entrevista rara com o Maé da cuíca – fundador da primeira escola de samba em Curitiba – serão revelados ao público pela primeira vez.

“Este é o 120º episódio do programa, e com ele, a conclusão de um processo fundamental para o samba. Principalmente para o entendimento dessa retomada realizada por uma série de compositores, grupos e agitadores no início dos anos 2000, quando ainda tínhamos em vida, Maé da Cuíca entre vários outros agentes imprescindíveis destes capítulos, onde vários deles viveram a extemporaneidade ancestral da cultura afro-curitibana”, manifesta o apresentador.

Além dos depoimentos inéditos do eterno Cidadão Samba de Curitiba, o programa conta ainda com nomes imprescindíveis  da cena e coetâneos do mestre, como a dama do samba curitibano, Mãe Orminda e também, o jornalista, radialista e escritor Claudio Ribeiro, compositor responsável por “Não Vou Subir” que, ao lado de Homero Réboli, e com a interpretação de Maé da Cuíca, ganharam o  “Festival de Compositores da Mangueira”, em 1977.

O episódio, reúne ainda dois nomes essenciais que conviveram assiduamente com Maé da Cuíca pelos palcos e na vida do bamba, os cantores e compositores, Léo Fé e Ricardo Salmazo, artistas que integraram a primeira formação do projeto, Combinado Silva Só e iniciaram o projeto, Samba do Compositor Paranaense.

“Além dos artistas, eu fiz questão que Cheilla Batista, Carlé Cadu e Vanessa Dobrucki Nishimori contassem como foi esse período inicial do ‘Curitiba dá Samba’ e a experiência que eles tiveram durante a última entrevista do seu Maé. O programa está emocionante e mesmo sendo o último, quem ouvir pela primeira vez, vai conhecer o samba de Curitiba contado por pessoas que construíram, consolidaram e fortalecem até hoje a cultura desta história”, enaltece, Lucas Cabaña.

O Curitiba dá Samba também foi coluna na extinta revista impressa O Rato, entre 2011 e 2012. E em 2019, o programa foi indicado pelo público na 5ª edição do Prêmio Profissionais da Música, sendo finalista na categoria programa de rádio.

A última edição do “Curitiba dá Samba” vai ao ar, neste domingo (30), às 14h, na sintonia AM 930, pela Rádio Cultura de Curitiba e com reprise, terça-feira, na faixa da meia-noite. Também é possível ouvir pelo portal cultura930.com.br/curitibadasamba/ onde está hospedado todas as temporadas do programa.