Imunidade

WagnerRengel;FaenaRossilho,

Arico - Crédito : Faena Rossilho

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O corpo quente numa nudez crua, sem quase humanidade e envolto num pano cinza, ajeita pequenos trapos e papéis no chão frio em pedras de esquina suja. É quase noite.

 

Ele fala, conversa. Parece sozinho mas, não está.

 

O corpo não é visto e as gentes passam longe, desviando os olhos com força pois são para ver que se destinam.

 

Os olhos só se servem em paradoxos de ver, piscar, chorar e fechar.

 

Tem vezes em que só os olhos choram e as gentes incrustam os traços de rostos marcados por sol, frio e verdades, empurrando as lágrimas para dentro que só servem para salgar a alma, cada vez mais estéril.

 

O corpo ficou ali, sozinho, num aninhamento em sim mesmo, numa conversa consigo mesmo, num último fio que sustenta aquele sem nome no mundo. E as demais pessoas, cada vez mais imunes das habilidades humanas, cegam-se na ruas, em cada esquina.

 

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