Inverno: quais são as mudanças desta estação?

Carmem Rolin

Conhecido pelas suas baixas temperaturas e sua frequente expressão: ‘ui que frio!’, é quase impossível deixar de notar que estamos no inverno. Mesmo já tendo passado por estas alterações climáticas ao longo dos anos, ainda assim, parece que levamos tempo até a adaptação ao novo meio. E porque então nosso organismo insiste em sofrer com as mudanças desta estação? Vamos começar pensando em como nós recebemos esta informação. O frio é percebido primeiramente pela nossa pele, através de nossos sensores chamados termorreceptores que tem a função de detectar a temperatura ambiente. Estes tem a função de enviar a mensagem de frio ao nosso cérebro, e como resposta, nosso corpo aciona reações de proteção que buscam manter a temperatura natural, entre 36,5 e 37°C. Logo, o que nosso organismo tenta fazer é evitar que se perca mais calor do que ele próprio é capaz de produzir. Um dos mecanismos fisiológicos mais conhecidos para isto é quando começamos a tremer o corpo, os pés e mãos ficam mais gelados e os pelos ficam arrepiados.

Nosso sistema de defesa realiza tanto esforço para manter o calor, que corremos o risco de gerar algumas complicações, como os problemas respiratórios, alterações cardíacas e lesões musculares. As disfunções respiratórias como gripe, alergias e resfriados, são as mais comuns, pois além da sobrecarga gerada pelo próprio tempo gelado, há escassez de chuva e aumento da poluição, condições que levam as pessoas a passar mais tempo em lugares fechados, facilitando a concentração de agentes infecciosos. A exposição intensiva ao frio pode também acarretar o aumento da pressão sanguínea, devido à vasoconstrição dos vasos sanguíneos e artérias, aumentando assim a resistência a qual o coração necessita para realizar o bombeamento sanguíneo. A circulação então fica mais centrada nos órgãos corporais, como coração e rins, com o objetivo de mantê-los na temperatura ideal, diferente de nossas extremidades, como pés e mãos, que ficam mais gelados por ter menos passagem sanguínea. Outro risco que aumenta nestes dias é de lesão e dores musculares. Pois, quando estamos em repouso, o fluxo
de sangue para chegar aos músculos é baixo, entre 15% e 20%. Então temos uma redução de oxigênio e elevação nos níveis de lactato. Já um músculo aquecido durante um exercício físico, pode atingir índices de 70% à 90% de fluxo sanguíneo.

Adotar a prática regular de atividade física, criar o hábito de beber mais água e estar atento aos níveis do colesterol e à pressão arterial, são fundamentais para reduzir os fatores de risco de lesão. Buscar se exercitar nesta época do ano vai muito além de ganhar a boa forma. O bom resultado está no ganho de mobilidade articular, aumento da troca de oxigênio da hemoglobina, aumento da inervação recíproca, melhora da resposta muscular aos
movimentos, melhora da capacidade de alongamento do tecido conjuntivo e redução da tensão muscular. Sabemos que em qualquer estação do ano, realizar o aquecimento antes do exercício é importante e também, sinônimo de qualidade de vida. Porém, atente-se às modificações sistêmicas com a chegada do inverno. Comece a observar seus processos de defesa natural, como quando seu corpo fica mais encolhido e então você passa a sentir mais
fome e sono neste período. Ajude- o a encontrar as soluções para evitar lesões e o mau humor neste tempo frio através de cuidados e atividades adequadas.

Vamos aquecer, nada de ficar ai parado olhando para o dia fechado!