LATINIDADES CURITIBANAS: URUGUAI

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O Uruguai, país de planaltos e planícies, tem no setor agropecuário sua maior força produtiva e econômica. O gado introduzido ao país no início do século 17, tornou-se o produto responsável por grande parte do PIB uruguaio e está diretamente ligado às questões culturais e à alimentação de toda população.

Diferente dos países vizinhos, pouco restou das manifestações dos povos indígenas que habitaram o território que hoje conhecemos como Uruguai. Ainda assim, depois de quase dois séculos convivendo com a ideia de que o sangue indígena não fluía em suas veias e que formavam o mais europeu dos povos americanos, os uruguaios foram tocados por um estudo antropológico que garante que mais de um terço da população tem ascendência charrua e com isso estão resgatando a história indígena, ação que tem e terá reflexos diretos na revisão da cultura alimentar. E como não lembrar da tradição da erva-mate, sem mencionar a cultura dos ameríndios que viveram naquelas terras. Pois bem, o Mate Charrúa ou Uruguaio como é chamado, é senão o maior, um dos maiores símbolos do legado dos povos autóctones do país.

A partir do período da expansão marítima promovida especialmente pela Espanha e Portugal, muitos viajantes estrangeiros se estabeleceram no país, em especial espanhóis, italianos e portugueses, e com eles vieram produtos e hábitos alimentares um pouco diferentes dos demais povos latino-americanos, uma cultura alimentar que se aproxima mais da vizinha Argentina e parte da região sul do Brasil.

Conhecidos pela qualidade na produção de bovinos e ovinos, a carne, o leite e seus derivados produzidos no Uruguai são muito apreciadas fora do país, mas têm no seu povo os maiores consumidores e defensores. É impossível falar do Uruguai sem pensar no Asado, na Parrillada, nos queijos e no famoso doce de leite produzido por eles (motivo de disputa com a vizinha Argentina), presentes em todo território uruguaio. Além disso, a produção de azeite e de vinhos finos, este com destaque para uva Tannat, também ganhou espaço nas últimas décadas.

A atual cultura alimentar dos uruguaios é resultado da fusão das cozinhas espanhola e italiana, da cozinha criolla, algo da cozinha ameríndia e outras cozinhas europeias. É o caso de um típico do país, que passa de geração em geração: a Pasta Flora. Trata-se de uma torta de origem italiana (que tem como base a pasta frolla, em italiano, uma massa de torta doce granulosa) recheada com geleia de frutas em sua origem, mas, que no Uruguai é utilizado o doce de leite ao invés da geleia. Como acontece com outras populações do mundo a comida está presente em todas as celebrações, sejam elas no âmbito familiar sejam as festas oficiais, de Pascualinas (uma torta de espinafre servida na Páscoa) à sobremesa mais esperada nas festas familiares, a chamada Chajá. Mas, o que de fato não pode faltar na mesa do uruguaio é a carne em seus mais variados preparos, quase unanimidade entre a população, pratos como Milanesa, Puchero,Pastel de Carne, Chivito, o Asadode tira e por fim, a parrillada (o churrasco dos uruguaios, preparado com as brasas da madeira e não com carvão) e obviamente o pão. São essas e muitas outras opções saborosas que fazem alegria dos uruguaios, seja em seu país ou em qualquer parte do mundo onde possam se reunir com a família e amigos para compartilhar da comida, do mate e de uma boa prosa.

Apesar da cultura alimentar centrada na carne, a cozinha uruguaia vem se redescobrindo, retomando a produção de alimentos e insumos, em especial frutas nativas, explorando um receituário mais amplo que inclui na dieta de parte da população peixes e frutos do mar, massas, sopas, doces, etc., resgatando a cozinha simples do campo e as contribuições ancestrais.

 

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PASTA FLORA

POR JORGE FRANÇA

(Serve 8 pessoas)

 

Ingredientes

PARA A MASSA

  • 2 xícaras farinha de trigo
  • 4 colheres chá de fermento em pó
  • 1⁄2 xícara açúcar
  • 125g manteiga em temperatura ambiente
  • 1 pitada de baunilha
  • 3 gemas de ovo
  • 2 colheres de sopa de leite

PARA O RECHEIO

  • 0,5kg doce de leite em temperatura ambiente

 

Modo de preparo

Junte todos os ingredientes da massa e misture até atingir um ponto de massa homogêneo, mas granulado. Deixe a massa por pelo menos 20 minutos. Em uma superfície enfarinhada, abra a massa com rolo de macarrão até uma espessura de 0,5 cm. Unte com manteiga e farinha uma forma de torta (daquelas que soltam o fundo das bordas) e cubra o fundo e as bordas com a massa. Adicione o recheio de doce de leite à temperatura ambiente.

Corte algumas tiras de massa e disponha sobre o recheio em forma de rede. Pincele gema de ovo sobre a rede de massa.

Em forno pré-aquecido a 200°C, asse por entre 30 e 40 minutos (acompanhe a tonalidade dourada da rede de massa). Quando dourada, retire e deixe repousar por no mínimo 8 horas antes de servir. Fica bem gostosa no dia seguinte também.

 

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Sobre Jorge França

 

Nasceu em 1963, na cidade Artigas – Uruguay. Aos 15 anos foi para Montevideo com a família, onde formou-se como Mecânico, na UTU (Universidade do Trabalho do Uruguai). Veio para Curitiba em 1987 para passar férias. Aqui conheceu sua esposa com quem teve 2 filhas e continua casado até hoje. Trabalha na Bosch há 31 anos.

 

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PORQUE COMIDA É CULTURA!

Equipe: Lai Pereira (coordenação geral), Marcelo Empinotti (curadoria), Meg Mamede (pesquisa histórica e textos), Juana Dobro (fotografias e entrevistas), Rádio Cultura de Curitiba (edição e veiculação)

 

 

PROJETO REALIZADO COM O APOIO DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA