Madrugada

WagnerRengel;FaenaRossilho

Crédito: Faena Rossilho

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O silêncio da madrugada é estilhaçado por um coração que bate forte em meu peito.

Uma batida só.

Tum!

Tão forte que escuto daqui de fora e sinto tremer meu corpo querendo dormir.

A cabeça, esta ingrata e cheia de nós, esquece de tudo e fica acordada, zumbizando pela casa.

As gotas que caem no metal da calha ali fora marcam o compasso de um ritmo exato.

Eu sei, o tempo não me deixa em paz e a cabeça, essa maldita, recusa o tempo e fica marcando as gotas como pedaços do céu.

O céu que de tão azul foi ficando roxo e o brilho e seu grito grave anunciam sua queda. Em suor de água, sem sal.

Quero-quero que lá fora pia e voa revelando que nem todo silêncio é de paz. Sorrateiro, de certo o gato gordo do vizinho anda pelo campo aberto dos ninhos, caçando como última tentativa de manter pateticamente um instinto já há muito tempo perdido.

A noite calada, sem voz nem nada.

Só as letras aqui nesta dança quieta.

 

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