MATHILDA REVISTA LITERÁRIA – O eixo temático do Vol. 04 é a palavra “cura”        


Lançamento da Mathilda Vol. 04 com os autores:
Mar Becker, Cristiano de Sales, Ismar Tirelli Neto, Paulo Sandrini, Léo Moita, Letícia Pilger da Silva, Sara Herrera Peralta. Gisele Eberspächer e Maria Luísa Carneiro Fumaneri. 

O que um suposto horizonte de vida pode gerar em nossa consciência, em nossa projeção de futuro, em nosso modo de nos relacionarmos com a sociedade? A Mathilda Volume 04 busca explorar este tema mirando ao menos dois caminhos de criação: a cura como necessidade vital e a cura como projeto de manutenção e mortificação. Sabemos que, ao longo da história, a cura foi utilizada tanto para se vender um modo fixo e rígido de conduta, para se obter certos mecanismos científicos de controle e exploração do corpo humano (basta lembrarmos de qualquer regime totalitário que se utilizou do corpo como usina estética de corte e costura), quanto para salvar vidas de situações extremas, de doenças e da mácula social deixada pelas mais variadas mazelas humanas e naturais. Sabemos também que a ideia de “cura” esteve presente no seio das religiões cristãs, ao conectar a teleologia salvífica à purgação dos valores mundanos, à ascensão da alma. Na magia e na cultura pagã, a cura também ganhou forma nas ritualizações, na ideia de encarnação, e nas diferentes maneiras de se relacionar com o outro e com a natureza.

Por outro lado, a exploração da crença vendeu para a massa as mais mirabolantes curas de araque, objetivando o lucro desenfreado e a ampliação de poderes políticos. E hoje? O que a cura pode representar para a contemporaneidade? Placebo para o fim inevitável? Domesticação dos modos de conduta? Em que ponto, paradoxalmente, a ideia de cura intenta ser nociva para nossa vida? Por que esta palavra parece sempre evocar uma falta que a constitui inevitavelmente?

Mar Becker abre este volume 04 com um poema sobre as profundidades do luto, a cura das curas. Cristiano de Sales, com seu poema “depuração”, nos envolve nas sutilezas orgânicas que a palavra “cura” pode denotar. Ismar Tirelli Neto versa sobre as micropercepções de um acontecimento. Já Paulo Sandrini nos conta da intimidade em tempos de sufocamento. Por fim, Léo Moita busca a cura numa espécie de rapsódia pandêmica, em que a própria Mathilda dá as caras. Na seção “Matild, Maud, Mahault, Mechtild”, Letícia Pilger da Silva nos apresenta a tradução de três poemas da poeta andaluza Sara Herrera Peralta sobre o tema. Em “Passeio com Mathilda”, temos dois textos: Gisele Eberspächer nos mostra os diferentes aspectos que a ideia de normalidade pode adquirir em literatura. E Maria Luísa Carneiro Fumaneri fala de como a ideia de cura pode estar intimamente atrelada à criação poética.

Fechando este volume, temos em “Conversando com Mathilda” um diálogo com Olivia Zanon Bonin e Clarice Zapletal Oliveira Silva, ambas com 5 anos, que contam suas experiências com remédios e médicos. A Mathilda Volume 04 contou com as pinturas do artista Filippo Mandarino, com a revisão da Diamila Medeiros, e com a diagramação e a arte dos nossos parceiros da gedegatoGiovanni Dameto e Giuliana Giarola. Agradecemos imensamente aos autores e artistas que contribuíram com este número.

Baixe aqui: https://revistamathilda.wordpress.com/vol-4/

mathilda revista literária 
um voo coreográfico contra a maré do presente

Uma revista literária que, bem como a sua musa inspiradora (a nossa cachorra-filhote), é um voo coreográfico contra a maré do presente. Uma dança, um risco que não se curva ao tom agudo do agora. Então, prepare-se para os latidos e uivos: aqui, você encontra poesia, prosa, textos teatrais. Além de múltiplas interações entre palavra e imagem, traduções de obras completas, parciais, artigos literários, entre outras surpresas. A cada número, seguimos um eixo temático, uma bolinha que jogamos para a Mathildinha brincar a valer.
É um prazer receber vocês em nossa casa.

Iamni Reche Bezerra Alexandre Gil França, editores.
Gedegato, arte e diagramação.