Morre Roberto Innocente, expoente do teatro popular do Paraná


Obra do ator, diretor e dramaturgo italiano radicado em Curitiba marcou a produção teatral do estado, muito especialmente no teatro de rua. Ele não resistiu às complicações da covid19 e faleceu na manhã desta quarta-feira 7 de abril

Roberto Innocente, ator, diretor e dramaturgo — um artista especializado nas artes do teatro, opera lírica e circo — faleceu na manhã esta quarta em Curitiba. O artista vinha internado há mais de um mês, por complicações causadas pelo novo coronavírus.

“Meu objetivo é fazer arte para contribuir a comunicar uma visão do mundo onde solidariedade, ética e harmonia sejam os valores principais”, costumava dizer em referência a si próprio. Innocente nasceu em Padova, morava em Curitiba havia 21 anos. Tinha 64 anos.

Foi criador do grupo de pesquisa e encenação Arte da Comédia. Vinha realizando montagens em sequência. Sob direção constante de Innocente, o grupo pesquisou a comédia clássica e seus tipos universais em busca de personagens e temáticas essencialmente brasileiras. Para tanto, além de pesquisar profundamente as técnicas teatrais da Commedia Dell’Arte, vinha estudado os aspectos contemporâneos de composição da sociedade brasileira, assim como suas manifestações históricas, culturais e artísticas. Seguindo a linguagem do teatro popular, já viajou por diversos locais do Brasil, foi vencedor de quatro troféus Gralha Azul, recebeu diversas premiações em festivais de artes cênicas Em 2017, completou a sua primeira década de existência com a montagem inédita do clássico de Flaminio Scala, a Loucura de Isabella. Foi selecionado entre centenas de grupos da América Latina para representar o Brasil no Peru, na IX Festepe Internacional.

Roberto Innocente deixou saudades entre os mais diversos realizadores do teatro popular no Paraná. A atriz e produtora Verônica Rodrigues relembra “o dia em que tomei contato com a obra do Roberto foi direto na rua, passava com minha mãe na XV e nos deparamos com a montagem de As Calcinhas da Flor, ficamos maravilhadas, é com muita tristeza que nos despedimos dele”.

“Estou triste. Ele merecia uma homenagem da cidade. Teatro de rua da melhor qualidade e de palco também. Assisti Janaína, uma opereta ano passado, maravilhosa peça no teatro barracão. O Roberto homenageou o Laerte Ortega numa leitura dramática no Mini Guaíra. Faz algum tempo, tipo uns cinco anos atrás. Participei da homenagem, o Roberto sabia das coisas, era generoso e competente. Perdemos um grande artista”, revela o diretor e dramaturgo Paulo Afonso de Castro.

 

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