NEM PRESA, NEM MORTA!


Ato pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito terá ação e audiência pública será transmitida ao vivo em Curitiba nesta sexta (03)

A cada dois dias, uma mulher morre no Brasil por causa do aborto ilegal.
A criminalização não impede a mulher de abortar, apenas faz com que elas se submetam a procedimentos arriscados e inseguros, trazendo consequências drásticas à vida das mulheres em todo o mundo, em especial para as mulheres negras e pobres.

A opinião pessoal de cada um sobre o aborto não importa diante das estatísticas. As mulheres vão continuar abortando e correndo risco de vida enquanto o procedimento não for legal e seguro. A legalização do aborto não é uma questão de crenças, tabus ou religião, que sequer deveriam ser envolvidos nessa luta. É uma questão de saúde pública e deve ser tratada como tal. A quem argumenta que “aborto vai virar método contraceptivo”: não sei nem o que dizer pra vocês. Ninguém acorda um dia e pensa “nossa, que dia lindo, acho que vou fazer sexo e engravidar pra fazer um abortinho”! Isso não é nem uma questão. Quem fala em “banalização do aborto” nunca parou nem para pensar direito no assunto e nem para ver os dados de países que legalizaram o aborto, como foi o caso do Uruguai. Sabe o que aconteceu? As mulheres que abortariam ilegalmente correndo risco de vida abortaram de forma legal e segura e não morreram. Nenhuma mulher morreu.
Não gosta da ideia do aborto? Pois bem, não faça um. A sua opinião não vai mudar o fato de que mulheres abortam. Mulheres abortam todos os dias de forma insegura. Mulheres que são mães abortam ilegalmente. Mulheres que não querem ter filhos abortam diariamente. Mulheres religiosas “contra” o aborto abortam diariamente. Mães de família abortam, adolescentes abortam, mulheres pobres abortam, mulheres ricas abortam, mulheres casadas, mulheres solteiras, mulheres empregadas, desempregadas. Mulheres de todos tipos abortam e não há opinião alheia que vá fazer isso mudar. O que precisa sim mudar urgente é o numero de mulheres que morrem por conta disso. O que precisa mudar é numero de homens que abandonam mulheres gravidas, que nunca nem sequer cuidaram de um filho, que ignoram o desespero da mulher (sempre com toda responsabilidade em suas mãos e todo julgamento também), que induzem a mulher ao aborto clandestino colocando a vida delas em risco e não oferecendo nenhum suporte. O que precisa mudar é o valor que damos a vida de uma mulher e ao poder de escolha que ela merece ter.
Historicamente, as mulheres são oprimidas, inferiorizadas e privadas de exercer sua própria vontade e dominar os rumos de sua própria vida. A criminalização do aborto é mais uma dessas formas de impedir que as mulheres tenham autonomia e decidam sobre seu próprio corpo.
O Brasil é um Estado laico e o aborto legal é uma questão de saúde pública que deve ser garantido pelo Estado gratuita e publicamente a todas as mulheres e homens trans. Por isso não podemos aceitar justificativas morais, religiosas e conservadoras que perpetuem a negação de direitos das mulheres à liberdade, dignidade, planejamento familiar, saúde e VIDA!
A América Latina tem sido protagonistas de grandes levantes feministas de mulheres que estão organizadas contra o machismo, o patriarcado e qualquer forma de controle e extermínio de suas vidas. A Argentina já deu o primeiro passo, com a aprovação na Câmara dos Deputados do aborto até a 14ª semana a ser realizado por solicitação e iniciativa da mulher.
Dia 3 e 6 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) fará uma Audiência Pública (ADPF 442) para debater a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. 40 representantes de diversos setores, entre especialistas, instituições e organizações nacionais e internacionais, serão ouvidas e ouvidos nesses dois dias.

A Frente Feminista (Organização do 8 de março em Curitiba e Região Metropolitana, Paraná, Brasil) fará a transmissão ao vivo da audiência pública, das 8h30 às 18h, no TeUNI, da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade. A partir das 18h, será realizado um ATO PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO E PELA VIDA DAS MULHERES em frente ao prédio histórico da UFPR.

É PELA VIDA DAS MULHERES! ABORTO LEGAL E SEGURO, JÁ!Confira a programação e participe:

> 08h40 às 12h50 – transmissão ao vivo da audiência pública;
> 14h00 às 18h50 – transmissão ao vivo da audiência pública;
> 16h00 – oficina de cartazes;
> 18h00 – Ato “Nem presa, nem morta” na escadaria do Prédio Histórico UFPR, na Santos Andrade.

O ato terá a presença de mulheres que fomentam o debate do aborto legal e seguro em Curitiba:

-Taysa Schiocchet – Professora da Faculdade de Direito da UFPR, pesquisadora do tema do aborto legal e coordenadora da Clínica de Direitos Humanos da UFPR;
-Letícia Kreuz – Doutoranda em Direito na UFPR, pesquisadora da temática sobre direitos sexuais e reprodutivos;
-Nicolle Schio – Médica pediatra (a confirmar);
-Valéria Fiori – Militante da Resistência/ PSOL, participou das mobilizações pelo aborto legal na Argentina;
-Alaerte Martins – Doutora em Saúde Pública, membro da Rede Feminista de Saúde.;

Em um segundo momento, o ato será repleto de manifestações livres, músicas, bateria, palavras de ordem. Toda manifestação pela vida das mulheres é bem-vinda!

VAMOS JUNTAS!

Assista em https://www.facebook.com/nempresanemmorta/videos/932063763621925/