WagnerRengel

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Por quantas vezes vem a vontade de chorar
E não consegue
Chamam de nó aquilo na garganta
Que não desata
E fica aquela coisa dentro
Da gente
A boca se inunda de um mar
Amargo
No peito bate um vazio de um coração
Perdido
Que não se encontra

As mãos ficam escondidas
Talvez nos bolsos
Os braços se cruzam
Não sabem mais a distância
Entre qualquer coisa
E os dedos são extremos de um mundo
Gelado
Nada esquenta

Da janela dos olhos as cores se apagam
Um brilho estranho se mantém sem alegria
E quando piscam, demoram mais para abrir
Como se o escuro do pequeno tempo fosse tão
Calmo
Nada ilumina

A terra sustenta os pés largados
Num mundo onde caminhos não tem sentido
E quando se vai por um lugar, não se chega
A lugar algum
Não há para onde ir

Uma tristeza que vai se apossando de tudo
A alma esmagada num canto
Essa espaçosa melancolia

Deixa a mais querida visita
Como um estorvo de espinhos
E a porta segue trancada por fora

Se consegue
Chora escondido
Sem saber de qual dor
Isso que transborda de dentro
O corpo numa erupção contorcida

Só quando esvaziado
E a alma cansada
Algo ainda é possível
A história continua
Nunca mais como antes.

 

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