O TEMPO PASSA, MAS O TERROR DE KUBRICK CONTINUA ILUMINADO

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“Só trabalho sem diversão faz do Jack um bobão!”

Quem já circulou pelas ruas do centro de Curitiba, certamente já viu na Rua XV de Novembro, próximo ao Teatro Guaíra, um enorme mural onde se lê, em letras garrafais, a frase acima citada, acompanhada da pintura de um jovem Jack Nicholson com a sua tradicionalíssima expressão de psicótico sorridente e, ao fundo, a reprodução das linhas e cores, com predominância pelo vermelho sangue, que compõem aquele tenebroso tapete sobre o qual um certo menino de oito anos passeava com seu triciclo nos corredores do Overlook Hotel. Trata-se, é claro, de uma bela intervenção urbana que homenageia um dos filmes de terror psicológico mais lembrados pelo público: O Iluminado, clássico de Stanley Kubrick. Qualificar como clássico um filme deste cultuadíssimo cineasta pode até parecer redundante, já que quase todos os 13 longas-metragens que ele dirigiu recebem essa alcunha. Talvez seja mais condizente dizer que, entre os clássicos de Kubrick, este é um dos mais célebres.

Lançado em 1980, e baseado em livro do Mestre do Terror Stephen King, O Iluminado traz Nicholson, então com 43 anos, no auge de sua fenomenal carreira, repleta de pontos altos (quatro anos antes, ele tinha ganho o Oscar de Melhor Ator por Um Estranho No Ninho). Seu personagem no longa também se chama Jack, é o Jack Torrance, escritor que aceita ser o zelador de um enorme hotel, o Overlook, durante todo o rigoroso inverno, período em que a neve toma conta da região, tornando-a quase intransitável. Jack, então, se muda para lá, acompanhado de sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e o filho do casal, vivido por Danny Lloyd, que também se chama Danny na história, e que é o ‘iluminado’ ao qual o título se refere. Além de ‘ver gente morta’ (você já ouviu isso em outro filme!), o menino também visualiza o que já aconteceu e o que pode acontecer. Jack quer aproveitar as horas vagas, que serão muitas, para terminar seu mais novo romance. As supostas alucinações causadas pelo isolamento definirão o nível de perturbação mental pelo qual Jack passará, até culminar em sua total perca de sanidade.

Quando a famosa frase, que citei lá no começo, surge no filme, em um dos seus muitos momentos de tensão, o contexto em que se apresenta é mesmo de arrepiar! A importância deste longa para a Cultura Pop é tamanha que foi realizado um curiosíssimo documentário sobre ele, Room 237, lançado em 2012, no qual o diretor Rodney Ascher vai esmiuçando cada detalhe da realização deste terror kubrickiano, além de especular sobre as supostas ‘mensagens subliminares’ e dicas sobre ‘teorias da conspiração’ que o cineasta teria deixado em inúmeras cenas. Mais de quatro décadas já se passaram após o lançamento desta obra-prima, que permanece iluminada. Constantemente lembrado por cinéfilos do mundo inteiro, este filme está sempre em evidência, ganhando exibições especiais nos cinemas, citações em outras mídias, e até belíssimas intervenções urbanas, como a que temos em Curitiba!

 

Fonte da foto: https://www.tha.com.br/entretenimento/10-murais-de-curitiba/