O tuiteiro dos anos 60

futebol, literatura, Stanislaw Ponte Preta

Stanislaw Ponte Preta (divulgação)
Stanislaw Ponte Preta (divulgação)

Que fique claro: Stanislaw Ponte Preta não era torcedor da Ponte Preta. Sérgio Porto adotou esse apelido inspirado no personagem Serafim Ponte Grande, do livro “Memórias de Serafim Ponte Grande”, escrito por Oswald de Andrade.

 

O “jornalista, radialista, televisista […],  teatrólogo […], humorista, publicista e bancário Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto nasceu em 11 de janeiro de 1923, no Rio de Janeiro.

 

Entre suas principais obras estão “Tia Zulmira”, Rosa Mundo e “FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assolam o País. O autor era conhecido por sua linguagem humorística e coloquial, a mesma que caracterizou suas crônicas jornalísticas no futebol.

 

De acordo com o site Trivela, Stanislaw Ponte Preta começou no jornalismo em 1949, participando de coberturas policiais e esportivas. Passou a ter maior destaque com as crônicas para o “Última Hora”, e seus textos integraram diversos jornais e revistas pelo país.

 

Além disso, ele trabalhava no rádio e na TV como redator, locutor e apresentador de programas. O Releituras diz que ele chegava a ter uma carga de trabalho de 15 horas diárias.

(divulgação)
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O que tinha haver com futebol?

Além de ser torcedor fanático do Fluminense e viver fazendo comparações satíricas com o mundo do futebol, tais como “mais inchada que cabeça de botafoguense” e “estava tão mal que parecia reserva do Bonsucesso”, Sérgio Porto gostava de estar nos campos de areia, grama ou nas mesas de futebol de botão. Nos campos, atuava como goleiro.

 

Fora isso, escreveu várias crônicas sobre o esporte bretão. As mais famosas foram redigidas durante a campanha brasileira na Copa do Mundo de 1962, a do bi. Elas foram reunidas no livro “Bola na Rede: a batalha do bi”, uma coletânea publicada em 1993 pela editora “Civilização Brasileira”.

 

Estas crônicas eram produzidas enquanto a bola rolava, direto das tribunas de imprensa dos estádios. Assim, Stanislaw fazia descrições do que acontecia e contava suas impressões com uma linguagem informal. Um tuiteiro dos anos 1960.

 

“Brasil em campo de camisinha amarela. Agora os tcheco-eslovacos… Chi, quando o jogo começar não vai dar tempo de escrever o nome desses caras. É grande demais. Fica combinado o seguinte: daqui por diante os tcheco-eslovacos ficam sendo só tchecos, tá?”

 

“A defesa fica olhando Hernandez mandar uma bomba que Deus me livre. Gilmar agarrou Leonor pela saia. Não demorou muito e Garrincha entrou na área, driblou João I, João II, cobriu João III e, quando ia chutar, João IV fez pênalti. Seu Godofredo disse que não. Se o suíço deixasse, o apito apitava sozinho.” (Leonor era um termo para se referir à bola. E os “joões” era como o próprio Garrincha chamava os marcadores, por não conseguir falar o nome deles).

 

Marcante

Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta morreu em 29 de setembro de 1968, aos 45 anos, ao sofrer um terceiro infarto. Sua saúde debilitada juntada à alta carga de trabalho são explicadas como a causa de sua morte antecipada.

 

Stanislaw Ponte Preta foi um dos nomes que personificaram o futebol dos anos 50 e 60: Alegre, aberto a ironias e ao subjetivo. Assim como Nelson Rodrigues, ficou para a história com suas crônicas mesclando a manifestação do que ele via e o sentimento do torcedor brasileiro.

 

Para mais detalhes sobre o estilo de escrita de Sérgio Porto e seus textos futebolísticos, visite o site Filologia, o blog Releituras e o site Trivela.