Praga

WagnerRengel;FaenaRossilho,

Crédito: Faena Rossilho

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Felizes as pragas insanas que devoram almas.

Passa.

O dia passa e vai embora.

 

Desencontros e o dia seguinte é um alívio.

Pode dar errado.

Pode dar tudo errado.

E daí? Canseira a gente sente de dar sempre certo.

 

Só lembro do dedão do pé quando tropeço. Ou quando a unha encrava.

Às vezes dá tudo errado.

Tô nem aí.

 

Nesse caminho que criei quero mais a vida surrada, gastada, vivida para além da empáfia dos narizes afinados, queixos sisudos, sobrancelhas fatiadas. Da vida quero o gosto e o sufoco, a chuva na hora errada e o sol na hora certa.

Passa e vira história para que o presente seja cheio de cavalos encilhados, boca livre, beijos gratuitos, abraços quentes, cachaça ardente, sono e sonhos e tempo. A gente precisa de tempo.

Quero assim.

 

E a conta estourada segue firme. E quantas vezes na hora de derrubar a água no filtro cheio de café, erro a mira e faço aquela merda e o pó desce para a térmica. E quem não derramou o café dentro do açucareiro? Não? Você que nunca, não sabe o que é a emoção de se ver errado e limpar a lambança logo cedo e depois seguir em frente, que isso não é nada.

Que o que importa é a outra coisa. E entre erros e acertos eu me arrisco mais do que deveria se fosse asséptico de desejo.

Sou sujo por essa praga que devora minha alma.

 

Tô nem aí.

 

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