UM OLHAR #01 – DIA DO ESPORTISTA

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Foto: Reprodução Internet

“Vocês podem imaginar quantas barreiras precisamos quebrar para chegar a ter os resultados que conquistamos!? Infelizmente vivemos em um país que não valoriza uma vida de dedicação! Patrocínio? Pior que a falta de incentivo financeiro é a falta de respeito”.  O trecho anterior foi retirado de uma postagem do ginasta Diego Hypólito nas suas redes sociais. Nele, é visível o desabafo sobre sua situação pessoal e profissional. A fala retrata um cenário comum em todo o Brasil, e que na maior parte do tempo é tratado com normalidade: o descaso com o esporte.

Nesta última terça (19) foi celebrado o dia do esportista. A data criada no ano de 1993 tem o intuito de conscientizar sobre a importância e os benefícios que traz a prática esportiva. Porém, temos o que comemorar?

Os mais recentes dados (2015) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente à frequência dos brasileiros para realizar atividades físicas, apontaram que naquele ano, 123 milhões de brasileiros não se exercitavam, dentro dessa quantia, 91,3 milhões alegaram que até aquele momento nunca praticaram esportes na vida. Dos que disseram que não praticaram esportes no período de referência, 38,2% afirmaram falta de tempo e 35% declararam não gostar ou não querer.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), por meio de números coletados durante os últimos 15 anos, apontou que no Brasil uma em cada duas pessoas em idade adulta não pratica atividades físicas.

Entre os gêneros, a pesquisa da OMS concluiu que homens são mais ativos que mulheres. No entanto, existe uma série de barreiras sociais e econômicas ao gênero feminino que tornam essa diferença acentuada, por fim, mereceriam outra postagem para a discussão.

O esporte é classificado em diferentes formas: alto-rendimento; recreação; saúde; educação; entretenimento; eis alguns exemplos. Diego Hypólito traz uma problemática interessante, é comum o detrimento de diversas modalidades devido à falta de investimento. Com isso, a má estrutura impossibilita a qualidade do treinamento e o bom desempenho desses atletas nas competições que disputam.

No caso de Diego, o atual vice-campeão olímpico está sem um clube para treinar. O último foi a equipe de ginástica de São Bernardo do Campo, São Paulo. Sem patrocínio, após a saída em conjunto da Prefeitura local e da Caixa Econômica Federal, não houve como mantê-la ativa. O atleta ainda está com sete meses de salário atrasados.

No “mundo” para-esportivo, uma pesquisa realizada pelo DataSenado em conjunto com o gabinete do Senador Romário, com paratletas, mostrou que em 2016 o interesse dos brasileiros por modalidades adaptadas aumentou, e isso foi impulsionado pela visibilidade que trouxeram as Paraolimpíadas que ocorreram no Rio de Janeiro. Só que para 88% dos entrevistados as condições oferecidas às pessoas com deficiência seguem insuficientes. Desses, 44% (metade) avaliou que a quantidade de espaços já existentes para a prática esportiva é ruim ou péssima.

A VELHA MÁXIMA: O BRASIL É SÓ FUTEBOL

Há uma semana, o incêndio no CT (Centro de Treinamentos) Ninho do Urubu do Clube Regatas Flamengo, vitimou fatalmente 10 crianças. O clube carioca tem um dos maiores orçamentos e investimentos anuais entre instituições de desporto. Se no clube carioca aconteceu algo desse porte, em que pé estão as estruturas de outras instituições do esporte mais popular por todo o país?

A tragédia permite questionar toda a estrutura do esporte brasileiro. Como você olha essa questão?

A CHAVE

É hora de refletir! Nesse momento, em qual patamar está o Brasil referente a promoção de diferentes práticas esportivas no país? Onde queremos chegar? Essa é uma discussão que envolve diferentes esferas da sociedade, isso passa pelo incentivo do poder público e privado, além da conscientização individual sobre o poder transformador que esporte tem.

Todos os problemas desta área passam em diferentes esferas e âmbitos da prática esportiva, no entanto, essas situações são originadas de um mesmo lugar. Não temos cultura esportiva no dia-a-dia. Talvez seja um dos motivos que não atraem o interesse da sociedade brasileira – todos – referente ao assunto.

“(…) Não se trata aqui apenas de incentivo financeiro, mas de amor pelo que se faz e de quem sempre carregou os valores do esporte. Respeitar o próximo, torcer por todos, lutar e vencer sem precisar passar por cima de ninguém, afinal de contas o sol brilha pra todos! Minha vontade de vencer é enorme! Mas de onde tirar força?” Concluiu Diego Hypólito.

O tema é complexo e subjetivo, pois trata de conceitos morais e valores existentes dentro da sociedade em que estamos inseridos. Ignorar este caminho é deixar em segundo plano uma das formas mais eficazes de promover igualdade social e cidadania, justiça e respeito entre as pessoas. É momento de abrir o debate dentro dos poderes competentes para mudar tal situação, assim como, ampliar os horizontes para qualificar profissionais e a estrutura organizacional esportiva, consequentemente diminuir a sensação de caos que vivemos nos dias atuais.

 

O INTUITO DESTA SÉRIE É PROVOCAR O LEITOR A PENSAR SOBRE TEMÁTICAS ESPORTIVAS. EXPOR IDEIAS E INCENTIVAR DEBATES SAUDÁVEIS A RESPEITO DE SITUAÇÕES CORRIQUEIRAS NO BRASIL, MAS, QUE MUITAS VEZES PASSAM DESPERCEBIDAS AOS NOSSOS OLHOS.