William Beer fala sobre a coletânea “as melhores gravadas no celular” (2014 – 2019)


foto: divulgação

1) além de serem registradas pelo celular quais os outros critérios você usou para organizar a coletânea?
massa lúcia! queria agradecer pelo convite e parabenizar pelo trampo realizado,divulgando artistas da nossa cidade ecológica. então, não houve muito critério, escolhi as que pra mim são mais importantes e que soam melhores aos meus ouvidos, as que tem mais apelo emocional sempre estão presentes e nem sempre são as com gravações melhores. a ordem é um fator importante num álbum/coletânea, o ideal é que a sequência tenha uma nuance que estimule a pessoa a querer continuar ouvindo a playlist, enfim são esses os critérios, rs.

2) como foi o processo de gravação dessas faixas, contou com a participação de outros músicos ou gravou tudo sozinho?
as gravações foram todas feitas por mim, usei métodos diferentes de gravação conforme fui adquirindo equipamentos um pouco melhores, o álbum “epifania” eu gravei com um celular samsung, daqueles bordôs pequenos, achei o timbre interessante e resolvi levar em frente, já as músicas do álbum “sub existência”, gravei num samsung j5, nessa época (2016) eu trabalhava numa loja de instrumentos e gravei a maioria das bateras num hibrido de cajón e a bateria que tinha de mostruário na loja, gravei também algumas guitarras nessa mesma loja. daí em diante fiz alguns experimentos e comecei a gravar num motorola g6, de onde saiu o álbum “histerese”, depois comprei uma interface e um mic condensador e aposentei de vez os smartphones do meu âmbito de produção musical, graças a Deus.

3) notei algumas influências na tua sonoridade, sonic youth, jesus and mary chain, você pode citar outras bandas e estilos que influenciaram no teu som?
ouvi muito sonic youth ao longo da vida, mas quem me influenciou a gravar em casa independente do jeito que fosse foi o ty segall, um cara muito foda da nova geração do rock nos EUA, muita garageira, amps valvulados e gravadores de fita, um timbre que eu só fui achar no celular por não ter grana pra mexer com equipamentos analógicos. o jesus and mary chain nunca ouvi… outro som que me influencia até hoje é o polvo, uma banda que vai muito longe na experimentação e que tem umas quebras absurdas. tenho me influenciado muito pelo the who e pela relespública, depois que virei roadie dos caras por um tempo. é o que consigo lembrar até aqui.

4) qual foi sua intenção ao lançar essa coletânea?
a minha intenção é fazer um meio campo pro meu novo disco que estou produzindo, ele irá se chamar “cascata de ressonância” e tem previsão pro segundo semestre de 2021. também resolvi revisitar essa época da minha vida que foi bem conturbada e cada música é como se contasse um episódio da minha vida e dos meus percalços com internamentos e todo tipo de doideira.

5) como foi a receptividade desse material junto ao público que acompanha teu trabalho?
foi bacana, um pessoal já ouviu basatnete essas música e sempre se idetificou com elas, por isso resolvi dar uma repaginada nas gravações e relançar em forma de coletânea para revisitar essa época, pelo menos quem ouviu curtiu bastante.

6) acho que com esse registro você se estabelece como artista curitibano com uma linguagem bastante original, como você foi construindo essa linguagem sonora?
eu sempre busco fazer algo diferente das coisas que já ouvi, às vezes me aproximo das coisas que gosto por achar que é bom, mas sempre tento colocar alguma nota diferente, uma letra diferente, pra no final a música não lembrar nenhuma outra. a experiência de vida é o maior campo criativo tanto musical quanto literário e eu sempre busco as letras na minha própria vivência, tentando escrever algo diferente, sempre. também tento colocar minhas influências, o rock ‘n’ roll e o punk/grunge em tudo que faço.